FalaFreela#66. O eBook é para bons autores. Ponto inicial.
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Na meia hora mais valiosa do seu dia, vamos iniciar uma discussão que pretende, aos poucos, esclarecer às dúvidas mais comuns sobre a questão. Mauro Amaral e Carolina Vigna-Maru debateram sobre o que é moda, o que é verdade e o que é literatura, na nascente indústria dos eBooks. Melhor entendidos como um produto a mais em editoras de todos os portes, o formato não substituí a qualidade da boa literatura.
De Machado de Assis à Neil Gaiman, grandes autores experimentaram formatos tão diferentes como jornais, revistas e quadrinhos. Por que com as tabuletas eletrônicas as regras mudariam? Mais um episódio da Midseason que, arrisco a dizer, foi o melhor até agora.
Tempo de duração: 27 minutos. Mas o tempo é relativo.
Comentado no episódio
- Denise Stoklos, a mímica que experimenta com formatos
- Um pouco da poesia marginal nos anos 80
- Rua do Ouvidor, sua história.
- Publicações Machadianas, por Idelber Avelar
- Mestre Gaiman
- Jornais que publicam trechos de obras literárias: Jornal Rascunho, Suplemento Pernambuco, O Lince, Germina Literatura
- The ClueTrain Manifesto (em português)
- Why the future doesn´t need us
O que você pode fazer para participar:
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24 comentários
[...] meia hora mais valiosa do seu dia, vamos iniciar uma discussão que pretende, aos poucos, esclarecer às dúvidas mais comuns sobre a [...]
Carolina Vigna-Maru » FalaFreela#66 – ebook para bons autores - August 1st, 2011 at 11:37 am
Concordo!
Fernanda - August 1st, 2011 at 1:09 pm
Olá galera excelente podcast apesar de não ser da minha area é bacana conhecer o lado dos outros profissionais freelancers;
Vocês falaram do comentario que a galera não esta comentando mais, vou te falar que é foda mesmo.
Mas tambem percebi que o comentário esta um pouco mais escondido, acho que quando ele está baixo do conteudo, dai o usuario vai lembrar um pouco mais de comentar;
Abraços
Daniel - August 1st, 2011 at 4:02 pm
Eu até já tinha pensado em livros que aproveitam as possibilidades dos leitores digitais (Alice é um bom exemplo), mas a grande diferença que vejo nos e-books está na possibilidade de publicar mais gente.
A qualidade dos livros já caiu muito (acho Dan Brown e J.K. Rowling bem fraquinhos) para atender setores da sociedade que há 20 anos não leriam nada, agora as editoras (ou até lojas como a Amazon) podem criar dispositivos para maus autores divulgarem seus livros.
Já vemos autores fracos conseguindo viver dos seus livros enquanto outros excelentes, mas que insistem em submeter os livros ao funil da seleção do que será editado em papel, ficam longe do mercado.
Se é uma boa hora para as editoras antenadas é também uma boa hora para os bons autores antenados, apesar do mercado de leitores de ebooks ser irrelevante no momento pela falta de dispositivos mesmo.
A cada virada de tecnologia passamos a ter possibilidade de atingir muito mais gente e alimentar muito mais autores… Antes da escrita os “leitores” estavam limitados a quem pudesse ouvir o contador de histórias. Com a escrita surgiram copistas e quem tivesse as graças da Igreja poderia ver ser livros copiados e lidos por mais gente. Então veio Guttemberg e muito mais livros passaram a poder ser copiados, houve uma explosão de novos autores e novos leitores.
O que vemos é a continuação desse processo que abre espaço sim para autores piores e para leitores menos exigentes.
A boa notícia é que sempre haverá livros de grande qualidade literária para aquela minoria mais exigente.
Roney Belhassof - August 1st, 2011 at 9:55 pm
Vocês afirmaram que analisariam o assunto sob o ponto de vista de negócio, mas só falaram de ebooks pelo ângulo das “belas artes”, da literatura: textos que duram, que são bons em qualquer plataforma, etc. Não concordo com a ideia de que o texto do ebook tem que se sustentar “fora” de seu meio tecnológico, de que tem que ser bom além (ou apesar) da tecnologia. Estamos esquecendo da lição de mcluhan de que o meio é a mensagem? A tecnologia é um fim em si, e inegavelmente um excelente negócio. Ebooks e apps não precisam durar (ou existir fora de suas plataformas, hipertexto não é texto), eles podem apenas “exercitar” essa tecnologia e durarem alguns meses, talvez a agilidade com que são substituídos seja o não tão novo modelo de negócio. Amanhã, novas tecnologias, novos exercícios. Se o podcast é sobre negócio, isso deveria ter sido levado em conta.
daniel valentim - August 1st, 2011 at 10:07 pm
Roney,
O meu ponto é que não vejo diferença específica em relação aos ebooks. O processo de abertura que felizmente sim acontece, como você mesmo assinalou, acontece desde a alfabetização da população, Gutenberg, etc… O ebook não é o fator diferencial. O ebook é apenas mais uma plataforma possível. E existem autores que precisam de editores e autores que optam por outro caminho, desde que o mundo é mundo.
Bj!
Carolina Vigna-Marú - August 2nd, 2011 at 8:58 am
Daniel,
Mas o ponto é exatamente esse! O negócio do eBook não é o tablet, é literatura. O dinheiro sempre volta para o conteúdo. Hoje canais de TV por assinatura se degladiam por mais canais ou por conteúdo para preencher os espaços? Assim é tambéno negócio da literatura.
Não vendemos telas de LED sensíveis a toque, vendemos a experiência de ler um livro, ou interagir com um APP. E se eles não foram feitos para durar, não existe negócio.
Existe um negócio ATRAVÉS da tecnologia e não só por conta dela.Redes sociais são tecnologia, mas o negócio está na relação entre as pessoas.
O meio é a mensagem. Mas o meio não é o tablet. É a literatura.
Mauro - August 2nd, 2011 at 9:16 am
daniel valentim,
Não falamos das “belas artes”, da literatura. Textos que duram são bons para os negócios. Os contratos editoriais normalmente são de 5 anos de duração. Um texto que sobrevive apenas alguns meses é ruim para os negócios.
Quanto ao meio é a mensagem, isso — novamente — sempre existiu e continuará existindo, mas não se sustenta a longo prazo. E, quando pensamos no negócio do livro, queremos que o produto continue dando retorno.
Claro que para um hype, tudo vale. Não é disso que falamos aqui.
O meu ponto é de que o ebook é apenas mais uma nova tecnologia, e não uma “revolução democratizante que liberta o autor do malvado editor e que acabará com o impresso” como crêem muitos. Os custos e os esforços em se fazer um livro são altos e independem se é em papel, papiro, elétrons, sinal de fumaça ou ondas intergaláxicas. Livros são complexos, difíceis, frutos de um trabalho em equipe e envolvem muitas áreas de conhecimento diferentes. E o ebook não muda isso. Quem é bom continua sendo bom. Quem é medíocre continua sendo medíocre. Existem autores bons que optam por auto-publicação e autores medíocres que são publicados em larga escala em papel.
O negócio do editor não é vender papel. O negócio do editor é o seu crivo, algo que vai muito além de uma simples seleção e é parte de todo o processo.
É isso… E isso é business.
Abraços,
Carolina.
PS: Pessoalmente acredito que o ebook será uma nova forma de comunicação, complexa, heterogênea e não uma simples cópia digital de um livro impresso. Isso não faz o menor sentido. O ebook precisa ir além e usar a tecnologia a seu favor, mas falei disso em outro episódio e não gosto de me repetir…
Carolina Vigna-Marú - August 2nd, 2011 at 9:19 am
Faço minhas as palavras do Mauro.
Carolina Vigna-Marú - August 2nd, 2011 at 9:20 am
Mauro,
Ok, mas a explosão de vendas de ebooks para iPad uma semana após seu lançamento não significa que pessoas finalmente despertaram para a leitura (conteúdo)… apenas que querem ver aquilo funcionando. Não concordo com você nesse ponto. É meio que um paradoxo: conteúdo é o “produto” do futuro, mas no meio digital (que também é o meio do futuro) ninguém quer pagar por ele (digo os consumidores finais).
Carolina,
Entendo seu ponto de vista sobre a profusão de canastrice onde não há curadoria, mas é fato também que os casos (poucos) de grandes sucessos de vendas de ebook na Amazon foram de autopublicação, com textos provavelmente medíocres, impulsionados por boca-a-boca em redes sociais e por precificação de .99! não podemos deixar esse aspecto de fora da discussão
daniel valentim - August 3rd, 2011 at 2:17 pm
Daniel,
Não são estes os dados que eu tenho mas tenho muito – muito, muito! – interesse nesta informação. Será que vc pode me passar a fonte? Tudo que é divulgado nas revistas do meio (Panorama Editorial, etc) é justo o oposto: livros bem editados mas cauda longa (que não estão em livrarias). O que se diz no meio é que estes estouros de venda colocam em cheque o PDV, não o processo editorial.
Sérião: queria muito estes dados, passa pra mim, please?
[]s
Carolina Vigna-Marú - August 3rd, 2011 at 6:31 pm
Carolina,
Achei alguns links:
Sobre preço (e não conteúdo) ditando vendas:
http://ebmv.blogspot.com/2011/06/what-is-happening-to-kindle-bestsellers.html
Sobre autor mudando de lado (editor x self):
http://www.idealog.com/blog/eislers-decision-is-a-key-benchmark-on-the-road-to-wherever-it-is-were-going
http://jakonrath.blogspot.com/2011/03/ebooks-and-self-publishing-dialog.html
Sobre o cara independente que bateu 1 milhão de vendas:
http://www.pcmag.com/article2/0,2817,2387302,00.asp
Amazon fazendo parceria com as pequenas editoras (já que as grandes não podem baixar tanto os preços):
http://www.pdfdevices.com/amazon-launches-kindle-sunshine-deals-for-publishers-to-experiment-with-ebook-pricing/
Não tenho links para isso, mas autores self-published sempre estão na lista de bestsellers da Amazon, como Rick Murcer, Audrey Braun, Jaden Skye.
Na cultura, alguns dos mais vendidos, inclusive o 1o colocado, (ebooks apenas) são da KBR, que é uma editora, mas que vende serviço para autores, não fazem trabalho de curadoria mesmo.
PS.: Não acho que isso vai mudar tudo completamente, mas vai sacudir tudo. O modelo de self-publishing deve ser levado a sério e acompanhado de perto. É o modelo mais próximo da essência da net 2.0 (e 3.0), em que a curadoria é pós-publicação, não pré-publicação como funciona com as editoras convencionais. Pós-curadoria é feita em comunidades e fóruns pelos próprios consumidores (ou sacanamente por algoritmos dos sistemas dos grandes como google e amazon).
Daniel Valentim - August 3rd, 2011 at 8:42 pm
Daniel,
Mas vc está falando — pelo que estou entendendo — do papel da editora apenas como curadora, sem considerar todo o trabalho com o material que certamente estes exemplos tiveram. A auto-publicação existe desde que o mundo é mundo. Ou, pelo menos, desde a Revolução Francesa e seus jornais alternativos e panfletos políticos. E isso vai continuar existindo, em papel, em elétron, em sinal de fumaça, etc…
Estou começando a ter a sensação de que estamos falando a mesma coisa. A auto-publicação existe desde sempre, gera ocasionais cases de sucesso (que não são, de forma alguma, a regra) e continuará existindo no ebook. Em nenhum momento eu disse algo contrário disso. O que disse e volto a dizer é que a publicação mainstream, do livro que é adotado em escola, que é comercializado em massa, que entra em editais, que vai para feiras de títulos como a de Frankfurt, etc… Esse livro continuará precisando do papel do editor. Sempre. Seja em papel, em jornal ou em ebook.
Agora, obviamente, o autor opta pelo caminho que ele quer seguir e eu conheço tanto casos de autores extremamente bem-sucedidos como fracassados em todos os caminhos possíveis. Entretanto, o fato é que quanto maior for o cuidado com o preparo do livro, maior será a adaptabilidade e/ou qualidade final e maior será o seu sucesso.
Assim como temos blogueiros de enorme talento e sucesso, não é abrir uma conta no blogspot que vai garantir a ninguém sucesso.
O Mauro está certo: quem manda é o conteúdo.
Pegue um blogueiro de sucesso como o Carlos Cardoso, por exemplo. Este é um autor com anos e anos de experiência, vários livros publicados, etc. É um cara que trabalha o texto antes de postar no blog. Ele merece o sucesso que tem e eu torço sempre para que tenha cada vez mais. É um profissional sério e dedicado que cuida do seu texto. Daí compare o texto dele com, digamos, o do blog de um miguxo qualquer. O texto — e não a ferramenta — é diferente. E um vai sim ter mais sucesso que o outro, sempre.
E você sempre vai encontrar aquele que faz o discurso do self. É um discurso sedutor, de liberdade. É quase que um sonho anarquista, de quebrar paradigmas de poder. Só que isso é uma demonstração clara do não-conhecimento do processo literário.
Agora, dito isso tudo, eu sim acho que as editoras que não se adaptarem a um novo diálogo com o autor e, principalmente, com o leitor, vão morrer no mesmo poço de lama sem fundo em que estão hoje as gravadoras.
Ainda assim, o papel da editora é essencial para quem deseja a profissionalização e não quer contar com o acaso do golpe de sorte ou não quer sumir no éter em poucos meses junto com a moda.
São opções. E nós temos direito a elas.
E, assim como qualquer opção, tem seu ônus e seu bônus.
Não existe príncipe encantado e o ebook não veio montado em um cavalo branco.
Abs,
Carolina.
Carolina Vigna-Marú - August 4th, 2011 at 10:58 am
Oi, Carolina,
Realmente estamos falando praticamente a mesma coisa. Acho que divergimos apenas num detalhe: acho que pode ser um ótimo negócio oferecer serviço de self-publishing (parece antagônico, pq se vc oferece serviço para o autor, deixa de ser self-publishing, mas não é pelo motivo de que você oferece apenas a plataforma com modelo semi-fixo e o deixa preencher de graça, cobrando apenas na venda). Não é um modelo de forma alguma baseado em conteúdo, apenas no ego das pessoas, que sempre querem dizer alguma coisa, é só abrir espaço. Se um cara qualquer edita um livro de poemas e vende só para amigos e família, vende no blog dele através de links, no facebook, etc., e há alguém ficando com, digamos, 30% dessas vendas, é só multiplicar pelo número de usuários possíveis num universo da net comunitária pra perceber que isso pode ser rentável (porque o custo é muito reduzido). E como disse, não se baseia DE FORMA ALGUMA em conteúdo.
Daniel Valentim - August 4th, 2011 at 11:16 am
Ah, sim, claro que não é um modelo novo. Uma gráfica podia cumprir esse papel há muito tempo. O alcance e a facilidade de tudo isso é que se amplia consideravelmente.
Daniel Valentim - August 4th, 2011 at 11:26 am
Ah, Daniel, mas isso também já existe tem séculos… São as “casas editoriais”. Tem umas muito boas, inclusive. A maioria até mesmo oferece serviços de copy-desk, revisão de texto, capista, coloca em livraria, etc… Super comum, juro. E, claro, isso continuará sendo verdade no ebook.
vignamaru - August 4th, 2011 at 11:26 am
Respondi antes de ver o seu “Ah, sim, claro…”.
Não, não falo só de gráficas on demand, não. Falo de casas editoriais mesmo, com profissionais de editoria, nos moldes que você está sugerindo para o ebook. Existe tem mó tempão…
Claro que existem muitas, o exemplo é apenas o primeiro que me veio à cabeça, ok? Tem a Miró, que é ótima inclusive: http://www.miroeditorial.com.br/
vignamaru - August 4th, 2011 at 11:30 am
me refiro mais a isso:
https://www.createspace.com/
http://www.kobobooks.com/companyinfo/authorsnpublishers.html
http://perse.doneit.com.br/default.aspx
http://www.universodoautor.com.br/
Há coisas um pouco diferentes também, no universo dos livros digitais, como esse site que vai possibilitar “remixes” que cada um pode montar e vender:
http://www.bookriff.com/
ou esse que cobra por um serviço de resumos. dá pra ver como as coisas estão mudando:
http://www.getabstract.com/
Daniel Valentim - August 4th, 2011 at 11:58 am
Daniel,
remixes: Ambientes colaborativos sim são uma grande novidade (pós-internet, não pós-ebook) e mudam o conceito de storytelling completamente.
resumos: Ué, o que isso tem de ebook? O cara pode cobrar por resumo em papel, ebook, papiro… Nos corredores das escolas para os alunos vagabundos, em grandes veículos para os jornalistas sobrecarregados, etc… Não entendi a relação disso com o que estamos falando.
todo o resto: Sim, estou familiarizada com os sistemas de auto-publicação. Você esqueceu do Issu, que é muito interessante também. E, novamente, isso não é mudança alguma. É uma ferramenta interessante para algo que sempre existiu e que, novamente, não muda em absolutamente nada do que falávamos aqui.
Claro que “as coisas estão mudando”. Felizmente não somos formigas que passam milênios fazendo exatamente a mesma coisa, mas — novamente — o ebook não é a tábua de salvação, não é a morte da editora, não é a liberdade em pessoa travestida de bytes, não liberta o coitadinho do autor do malvado editor bicho-papão. Não é nada disso. É mais uma plataforma de publicação. E te digo mais: ainda surgirão outras em nosso tempo de vida.
O que “está mudando” é a relação com o leitor. E isso é MUITA coisa. É uma senhora mudança. A relação com o consumidor-leitor muda tanto quanto mudou com a mp3. E o editor que não enxergar isso vai morrer. Este é o ponto. Não a tecnologia, a auto-publicação, a mixagem ou o que for.
PS: Daniel, eu adoro um papo sobre isso (como você deve ter percebido) mas acabo de aceitar um job complicadíssimo e infelizmente terei de reduzir bastante o meu tempo online. Por favor não se chateie se eu demorar alguns dias a responder, caso a conversa continue, tá?
Abração,
Carolina.
Carolina Vigna-Marú - August 4th, 2011 at 2:03 pm
Oi, Carolina,
Resumos: bem, eles distribuem os resumos como ebook singles, e estão cobrando mensalidade por isso, então é um modelo de negócio que tem a ver com o ebook. Isso já era possível em diversas outras plataformas? Sim, mas se escolheram o ebook é porque essa plataforma oferece alguma vantagem sobre as demais. Talvez o ebook fosse a tecnologia que faltasse pra esse modelo de negócio dar certo. Empreendedorismo não passa por esses detalhes de inovação?
Todo o resto: aqueles são exemplos específicos porque são empresas primordialmente de varejo, mas que começam a oferecer serviço de editora a partir do ebook e do pod, percorrendo toda a cadeia de produção. Isso certamente trará consequências para o mercado.
Não sei porque essa ideia de ebook como “tábua de salvação” do pobre autor diante dos Golias da celulose. Não tem lado bom e lado mau, não falei isso, não acho que editoras são conglomerados maléficos que impedem a livre circulação de ideias, nem acho que elas vão desaparecer do mapa (pelo menos não todas… brincadeira). Mas parece que todo mundo vai ter que enxugar ao máximo os custos, porque os autores vão começar a exigir um pedaço mais gordinho de um bolo que ainda por cima vai ter que diminuir de tamanho. O preço terá que cair, ninguém admite pagar o mesmo por um livro “virtual”, apesar do conteúdo ter custado tanto quanto custaria para o físico, as editoras também terão que criar comunidades pros seus leitores e dar muita coisa na faixa pra eles, e por aí vai.
Acabei de ler que o facebook comprou uma editora de ebooks interativos para iPad e iPhone. Quer dizer, o pessoal lá da ponta, que lida direto com o consumidor (como os já mencionados kobo, amazon…), está querendo tomar conta do negócio inteiro. Tudo isso por causa de uma nova plataforma (e de uma velha história).
ps.: tranquilo, bom trabalho!
daniel valentim - August 4th, 2011 at 6:57 pm
Daniel,
Rapidinho que o bicho tá pegando aqui…
Não sei porque essa ideia de ebook como “tábua de salvação” do pobre autor diante dos Golias da celulose.
Falo isso pque é 99% dos comentários que recebo. Você, de fato, jamais falou isso.
consequências para o mercado
Claro, tudo traz consequências. Só que, novamente, eu não acho que a consequência está na relação com o autor e sim com o leitor. Assim como foi na indústria fonográfica.
[editoras] desaparecer do mapa
Hahahaha Sim, claro que não vão. Mas por outro lado aquelas que não conseguirem dialogar com este novo leitor vão sim morrer. E, assim como no caso da fonográfica, tem mais é que morrer mesmo. Faz tempo que as editoras esqueceram que o leitor é o ponto mais importante de toda a produção literária. E ele não tem sido tratado com o devido respeito faz tempo.
O preço terá que cair
O preço já tinha que ter caído faz tempo!!! Livro custa um ABSURDO. O cartel do papel é CRIMINOSO. O papel não custaria o que custa se houvesse uma livre concorrência de fato. (#prontofalei)
Então, obviamente, o preço do ebook TEM QUE cair. Com isso eu tô contigo e não abro.
Acabei de ler que o facebook comprou uma editora de ebooks interativos para iPad e iPhone. Quer dizer, o pessoal lá da ponta, que lida direto com o consumidor (como os já mencionados kobo, amazon…), está querendo tomar conta do negócio inteiro. Tudo isso por causa de uma nova plataforma (e de uma velha história).
Pois é, este é o meu ponto. Isso é briga de cachorro grande.
Desculpe, preciso correr. Bj.
Carolina Vigna-Marú - August 4th, 2011 at 7:13 pm
Excelente podcast, parabéns!
Paulo Taneda - August 11th, 2011 at 10:11 pm
Muito bom episódio mas vim testemunhar um assunto “quase” off topic. Ouço o podcast há + de 3 anos e segui todas as dicas. Os episódios sobre empreendedorismo do NerdCast são sensacionais também. Hoje sou um freelancer fulltime muito satisfeito, muito realizado, graças a ajuda de vocês. Valeu!
Sergio Almeida - August 26th, 2011 at 2:04 pm
Ótimo tema.
Pra quem quiser ler Machado de Assis e muitos outros autores gratuitamente, acessa ae:
http://www.dominiopublico.gov.br/
Marcos Yoshihiro Nakamine - August 30th, 2011 at 11:30 am
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